terça-feira, 26 de abril de 2016

A TRUPE DO PATRIMÔNIO VIVO NO PALACETE SÃO CORNÉLIO, GLÓRIA, RIO DE JANEIRO de Claudio Prado de Mello


Ou, O Palacete São Cornélio pede socorro!


No domingo, dia 24/04, a TRUPE PATRIMÔNIO VIVO, constituída pelos amigos e colaboradores do Instituto de Pesquisa Histórica e Arqueológica do Rio de Janeiro – IPHARJ, de forma voluntariosa encenou um esquete simples e bem humorado para denunciar o estado de abandono em que se encontra o Palacete São Cornélio, situado no bairro da Glória, imóvel que pertence à Santa Casa de Misericórdia.

O evento, realizado pela Associação de Moradores e Amigos da Glória AMA-Glória, pelo Grupo S.O.S. Patrimônio, e pelo IPHARJ, foi divulgado nas redes sociais e por este blog em ATO EM DEFESA DO PALACETE SÃO CORNÉLIO – UM BEM TOMBADO QUE CAMINHA PARA A RUÍNA, postagem que teve grande repercussão durante os últimos dias.

O Palacete São Cornélio pede socorro. É urgente: “A AMA-Glória conseguiu adquirir uma imensa lona azul que precisa ser colocada sobre o prédio”.

Abaixo, o relato de Claudio Prado de Mello, Diretor Presidente do IPHARJ.

Vale conhecer também os artigos de SoniaRabello a respeito.

Urbe CaRioca



Foto: Claudio Prado de Mello, 24/04/2016


A TRUPE DO PATRIMÔNIO VIVO NO PALACETE SÃO CORNÉLIO, GLÓRIA, RIO DE JANEIRO

Claudio Prado de Mello

O Palacete São Cornélio, situado na Rua do Catete nº 6, bairro da Glória, teve seu telhado roubado essa semana. Calhas de cobre e até telhas foram levados! O prédio, abandonado há décadas, hoje está em “fase terminal”: a estrutura está abalada, toda a esplêndida decoração interna, de 1862, está se desprendendo dos tetos; internamente, a construção está se desmoronando. A sólida estrutura existente não resistirá se os telhados ruírem.

A Sociedade tem acompanhado pelos jornais e televisão a dor e desespero dos membros da AMA-Glória para salvar o verdadeiro PALÁCIO que agoniza!

A próxima frente fria, prevista para esta semana, trará a chuva que amolecerá os tijolos e destruirá o que sobrou das pinturas delicadas dos tetos; o peso do madeiramento aliado ao peso das telhas fará com que os telhados DESABEM, acarretando a completa destruição do bem cultural. Sem as telhas a perda será total.

É impossível que a Cidade não note o que pode acontecer em breve. Todos nós seremos testemunhas e até corresponsáveis pela perda.

O Palácio, construído em 1862 e tombado em 1938, clama e grita por socorro, pois poderá não sobreviver às próximas chuvas. Apesar das ações da Polícia Federal, no MPF, e divulgação pela imprensa, os avanços são quase nulos. Hoje há quem compre o prédio para montar um imenso espaço cultural, mas não se consegue vencer os entraves para que se possa ser vendido.

Agora - sem as calhas – o assunto passou a ser de URGÊNCIA MÁXIMA!

A AMA-Glória conseguiu adquirir uma imensa lona azul que precisa ser colocada sobre o prédio em um gesto desesperado de defender esse Patrimônio Tombado e Esquecido de uma cidade como o Rio de Janeiro, e precisa encontrar meios de fazer a colocação. O prédio está interditado pela Defesa Civil, pois oferece risco a quem entra. As condições das partes internas estão péssimas! Chegou a hora de pedir socorro, elevar a voz, e chamar a atenção das pessoas com quem esperamos contar.

Foto: Claudio Prado de Mello, 24/04/2016


Aliaram-se a AMA GLORIA, o Grupo SOS PATRIMÔNIO, o INSTITUTO DE PESQUISA HISTÓRICA E ARQUEOLOGICA DO RIO DE JANEIRO – IPHARJ, para produzir o evento do último domingo, contar uma história, e mostrar a situação precária em que o imóvel se encontra: juntaram-se cadeiras D. José, castiçais, mesas de época e todo um conjunto de peças históricas para montar o cenário de época. A encenação trouxe do passado personagens históricos como a Rainha D Maria I, Xica da Silva e a Rainha Dona Victoria de Hannover, que interagiram com personagens reais como Napoleão Bonaparte, e fictícios como Johan van Apex.

Tal esforço reflete um sentimento de Pertencimento/Comprometimento com o Patrimônio e com o Passado que independe de retorno financeiro, reconhecimento, ou qualquer outro valor que não seja simplesmente desejar que todos esses objetos da Cultura Material, e o Patrimônio Edificado sejam preservados para as futuras gerações, para que nossos filhos, netos, bisnetos, e outros consigam ver e respeitar esse legado da mesma forma que o vemos, respeitamos, amamos e procuramos preservar.


Reportagem RJTV em nov./2011 relata a deterioração do imóvel abandonado e vários furtos ocorridos.


Palacete São Cornélio 2015 - Um Registo do Tempo / A Register of Time - Malu Barra - Fotos de Alberto Cardoso
Palacete São Cornélio, construído em 1862 no bairro da Glória, no Rio de Janeiro.
Foi residência do Comendador João Martins Cornélio dos Santos, que o deixou em testamento à Santa Casa de Misericórdia em 1894 com a condição de servir de asilo de meninas. Em 1938 foi tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.


Foto: Marcus Alves, 24/04/2016


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