quarta-feira, 15 de julho de 2015

MENOS UM PARA CONTAR HISTÓRIA! A FREGUESIA PERDE MAIS UM DOS SEUS CASARÕES, de Gisela Santana


Nesta semana foi demolida mais uma casa situada na Freguesia, em Jacarepaguá, construção conhecida como ‘Casarão da Bananal’ por ficar na estrada de mesmo nome. 
Os moradores lutaram sem descanso pela sua preservação e futura transformação em um marco cultural da região, o que, infelizmente não acontecerá.
Da autora já publicamos vários artigos, reflexões e propostas em defesa do bairro e da vizinhança, com olhar que busca o equilíbrio entre o meio ambiente urbano e o natural.
Boa leitura.
Urbe CaRioca

O Casarão da Bananal
Foto disponível em: https://picasaweb.google.com/svillasboas/CasaraoDaBananal


Menos um para contar história!
A Freguesia perde mais um dos seus casarões

Gisela Santana*

Lamentável o que ocorreu na tarde do dia 13 de julho de 2015 na Freguesia. Como se não bastassem os inúmeros casarões históricos demolidos nas últimas décadas, um resistente, que representava a memória social e cultural do bairro foi abaixo, aos solavancos de uma “super” escavadeira! Assista ao vídeo.



A tristeza assolou os moradores que lutavam pela sua preservação!
Após audiências públicas com a comunidade, em 2013, sobre os prejuízos causados pelo PEU Taquara à Paisagem natural e construída e ao estilo de vida do lugar, a comunidade apelou, ao então Presidente do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade e do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural, para preservar o imóvel. Este se comprometeu a envidar esforços no sentido de salvaguardar o bem.
Sob esta promessa, a comunidade elaborou projeto para viabilizar um Centro Cultural no local, aos moldes do Parque Lage e, arregimentou moradores em um abaixo-assinado com cerca de 2600 assinaturas, com o objetivo de viabilizar a desapropriação e tombamento do imóvel pela prefeitura e salvar as árvores do terreno.
O abaixo-assinado relata a importância que o imóvel representava para o bairro e sua comunidade e, já previa o ocorrido desta tarde de segunda-feira:

“O Casarão foi construído no ano de 1952, pertenceu à família Monteiro de Almeida Macambira, família tradicional da região. Possui uma arquitetura espetacular, do estilo eclético e revestimento em pó de pedra. Situa-se em um terreno extremamente arborizado.
O local já serviu de locação, na década de 70, para filmagem de um dos filmes dos Trapalhões e em outros anos também para outros filmes e séries.
O local também já foi utilizado para a realização de inúmeros eventos sociais, tornando-se um ícone do bairro.
Hoje esse belo casarão está ameaçado de demolição, assim como vem acontecendo com tantas casas da região como a bela casa de estilo Art Decô, também na Estrada do Bananal de valor histórico, por ter refugiado Carlos Lacerda na Revolução de 64, e ainda na Estrada do Quitite, a residência de veraneio do Presidente João Goulart.
Por tudo isso, a AMAF está pedindo sua participação nesta campanha pelo tombamento e desapropriação do Casarão. O abaixo-assinado será encaminhado ao Prefeito e demais órgãos responsáveis para a criação, no local, de um Centro Cultural com oficinas e atividades culturais, educativas e promoção da saúde, direcionadas às crianças, adolescentes, adultos e idosos; escolas de artes, museu, biblioteca para o bairro, conforme proposta já enviada à Prefeitura.
Ajude-nos a salvar o Casarão do Bananal. Vamos resgatar a Qualidade de Vida em Nosso Bairro. Junte-se a nós!!!!”
O abaixo-assinado está disponível NESTE LINK (acesso em 15/07/2015)
Nota: Fotos do local podem ser vistas NESTE LINK.


O imóvel em questão foi abaixo e, ao que tudo indica, a construtora que o adquiriu, deve ter se sentido “ameaçada” pela reportagem publicada no Caderno Globo Barra, na última quinta-feira, 02 de julho. A reportagem relatava o imbroglio que se encontrava o imóvel:

“Em 2012, o Casarão da Bananal, como é chamado, foi vendido por herdeiros da família Macambira à empreiteira Pinto da Costa, o que iniciou uma luta travada pela Associação de Moradores da Freguesia (Amaf) pelo tombamento e pela desapropriação do imóvel, que seria transformado em um centro cultural [...]
Logo após a venda, Heitor Éllena, que alugava a casa desde 2003, entrou com uma ação de usucapião, contestando a venda do terreno. Assim, mesmo possuindo licença de demolição, a construtora não pode intervir no local até que o processo tenha um desfecho.”
(O Globo, Barra, p.8-9)

O que ocorreu para que o casarão “pudesse” ser demolido não se sabe ao certo, mas seguro é que, mais uma vez, o dinheiro e a ganância dizimaram a memória e o imaginário cultural e social de um bairro e de sua comunidade, massacrando-os com o sentimento de impotência e de frustração.
Fica a esperança de que um dia, nas voltas que o mundo dá, as verdades ecoem em nossos ouvidos e que as práticas nefastas possam ser substituídas por novos horizontes de cidadãos mais maduros e conscientes de seus atos, e que a união popular possa vencer o medo para suplantar as forças dos interesses econômicos!

___________
*Gisela Santana, Arquiteta e Urbanista, é autora do livro MARKETING DA “SUSTENTABILIDADE” HABITACIONAL.

3 comentários:

  1. Quem paga mais leva. Estratégia baixa para impedir a transformação em patrimônio. Viva a rubi! Viva a prefeitura!

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  2. Anônimo8:24 AM

    Como sempre o artigo da Gisela traz consigo a inteligência dos moradores que como ela insiste em continuar lutando, acreditando, amando este espaço chamado Freguesia, a Prefeitura, as Empreiteiras, INSISTEM em destruir nosso legado e transformá-lo num lixo onde ninguém mais anda! A derrubada do casarão representa APENAS uma constatação e frustração.
    A Floresta de Tijuca, O parque Nacional da Tijuca está totalmente abandonados, invasões, no Quitite, no Anil na Estrada do Sertão, sem dizer do outro lado pela Pau Ferro lá encima do maciço .
    Não derrubaram apenas o casarão, são lutas de quarenta anos, que continuam hoje, e a especulação imobiliária, a corrupção dos políticos o poder econômico falando mais alto.
    Perdemos um casarão, mas ganhamos em qualidade de SER HUMANO, sim, pois entanto existam na Freguesia gente inteligente e honesta como as Gisela´s as Veronica´s as Alice´s, as Simone´s as Daniela´s os Jorge´s os Guilherme´s os João´s e tanta gente anônima e bonita que se identifica e acredita na gente o movimento pela qualidade do verde, do saneamento básico, das lagoas de Jacarepaguá, do Maciço da Tijuca, da mobilidade inexistente, da educação, da saúde, este fato... anunciado pela incompetência dos políticos de turno, era uma morte anunciada! Hoje choramos sim. Mas jamais vão apagar nossos ideais. Estamos mais vivos que nunca como as árvores que continuam em pé lá no casarão!

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