quarta-feira, 4 de março de 2015

ÓDIO AO CAMPO DE GOLFE DOS JOGOS OLÍMPICOS


Ou, “A MENTIRA TEM PERNAS CURTAS”

Ou, “MAIS DEPRESSA SE PEGA UM MENTIROSO DO QUE UM COXO”



O urbanista Lucio Costa na charge de Aroeira.

Costa é o autor do Plano Piloto para a Baixada de Jacarepaguá, que entre muitas diretrizes que se tornaram lei, estabeleceu que as áreas mais a Oeste deveriam ter ocupação de baixa densidade, parte delas seria agrícola, definiu a localização do Autódromo, e desenhou algumas avenidas chamadas "Via Parque", margeando as lagoas. No caso de Marapendi, a Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso separou as terras edificáveis da então Reserva Biológica de Jacarepaguá, que viria a se transformar no Parque Municipal Ecológico de Marapendi. Curiosa e tristemente, a atual gestão da cidade é a responsável pela perda do autódromo, o gigantesco aumento da densidade e ocupação das terras objeto do PEU Vargens, e pela construção do Campo de Golfe que eliminou parte da importante avenida e de área significativa do Parque Ecológico. Tudo "Pra Olimpíada", sendo ou não verdade.





Não, não é o Urbe CaRioca que tem ódio ao Campo de Golfe.

As palavras do Prefeito do Rio e atual presidente do C40 Odeio ter feito esse campo de golfe. Por mim, não faria nunca estão na reportagem publicada pelo jornal O Globo em 24/02/2015, que correu pelas redes sociais e reproduzimos na página Urbe CaRioca do Facebook, com incredulidade. As mentiras surgem uma atrás da outra, a começar pelo fato de que o esporte não constava na proposta de candidatura do Rio de Janeiro a receber os Jogos Olímpicos. Foi o Rio que escolheu o Golfe! Isto é, a Prefeitura!



Internet
Seria possível rebater linha por linha, medida inútil, a se considerar os outros sofismas usados no vídeo que desconsiderou preservar a reserva ambiental de MARAPENDI durante o igualmente enganoso Desafio Ágora, contestados neste blog. Lamentamos ainda o linguajar usado por Sua Excelência, termos que não cabem na boca do representante maior da nossa cidade, jovem anciã de 450 anos de idade!


Talvez ainda retornemos às explicações sobre mais essa falácia. Por enquanto, vamos a um resumo das muitas notícias publicadas na mídia nacional e internacional sobre o escandaloso golfe dito olímpico, nos últimos dias, a maioria do jornal O Globo:


Em 24/02/2015 o Prefeito disse que odiava ter feito o Campo de Golfe, o que mais indignou do que surpreendeu a todos os que acompanham o assunto. No dia seguinte foi desmentido pelo Presidente do COI. O Deputado Marcelo Freixo expressou seu espanto na tribuna da Alerj. Ainda no dia 25 o COI elogiou o andamento da preparação para os JO, demostrou esperança em relação à despoluição da Baía de Guanabara (compromisso já descartado pelo Governador), e expressou preocupação em relação às obras do Velódromo, do Campo de Golfe, e do Centro de Hipismo. Mais cedo, com deselegância, o alcaide dissera que não haveria atrasos, porque “Aqui não tem Paulo Roberto” (!). Ainda assim, em 27/02 o mesmo jornal publicou que as empresas mencionadas na chamada ‘Operação Lava-Jato’ poderiam ter dificuldades na execução das obras (...), o que não preocupa o Diretor-Executivo do COI.

Sábado, dia 28, os manifestantes do movimento Golfe para Quem? estiveram em frente ao hotel onde o COI estava reunido e protestaram contra danos ambientais causados pelas obras.

Na nossa visão o COI não é responsável e as palavras dirigidas ao presidente da instituição, indevidas. Por maior que seja a influência daquela instituição, quem tem a prerrogativa de autorizar as obras são os gestores públicos.

Das notícias internacionais destacamos Rio 2016: Occupy takes swing at Olympic golf course Alvo de inquérito e saia-justa, campo de golfe é ponto sensível da Olimpíada, na segunda causando igualmente espanto as declarações omissas do representante da Empresa Olímpica, assunto para outra postagem.

Não, o Urbe CaRioca não odeia o Campo de Golfe. Nem o prefeito, por óbvio. A nós e muitos cariocas - natos ou de coração - o caso provoca indignação, decepção e descrédito. Há quem classifique o caso como "uma tacada torta do Prefeito". Discordamos. A tacada foi precisa, calculada. Todos os envolvidos no processo decisório sabiam exatamente no que queriam acertar: dar viabilidade a um gigantesco empreendimento imobiliário, travestido de um imprescindível campo de golfe.

Abaixo, a passagem do tempo e os links para as notícias.








Mapa que constou do edital do concurso,
antes mesmo da mudança da lei e do zoneamento ambiental.

O atual presidente do IAB-RJ declarou em entrevista ao programa Tema Livre
acreditar que a área de reserva ficaria preservada. O Blog leu o edital e o terreno
indicado para o campo de golfe coincide com a APO, alinhamento limite da orla. O
Instituto possivelmente não esteve atento às leis urbanísticas e ambientais vigentes,
pois, além de não ter essa cultura, recebeu os dados da Prefeitura para elaborar o Edital
 com vistas ao projeto de arquitetura da sede administrativa do campo e setores de serviços.
 A fala do representante do IAB no programa de rádio demonstra que sítio em si não
 foi considerado, fato que só se pode lamentar.


NOTA: Neste mapa a área que corresponde à mancha branca à esquerda, em parte já doada ao antigo Estado da Guanabara, hoje Município do Rio de Janeiro, foi usada depois para completar o contorno do campo de golfe.

A linha preta entre as ruas perpendiculares à Avenida das Américas corresponde à antiga Via 2, atual Avenida Dulcídio Cardoso, eliminada para permitir a construção do campo com 18 buracos. A faixa situada entre essa linha e a margem da Lagoa de Marapendi é o trecho do Parque Municipal Ecológico de Marapendi que foi eliminado.






27/02/2015 - Vídeo Marcelo Freixo












Um comentário:

  1. Tudo por causa de 18 buraquinhos.
    Vocês já leram o decreto 45.128 de 16.01.2015 do mesmo governador? Ele autoriza corte de Mata Atlântica em Maricá, em área de APP para as obras do TPN (Terminais Ponta Negra) o Porto de Maricá e ainda declara as obras desse porto, como sendo de Utilidade Pública. Detalhe: Criou o decreto antes das licenças para o Porto; O TPN , se sair, será obra particular, não pode ser declarada de Utilidade Pública!

    ResponderExcluir