sexta-feira, 13 de março de 2015

CLUBE FLAMENGO – UMA ARENA, UM NÓ DE TRÂNSITO, E UM BEM TOMBADO



ATUALIZAÇÃO EM 18/03/2015: Nota no Jornal O Globo (Coluna Ancelmo Gois) informa que o Clube construirá uma Arena para 40 mil pessoas.

URBE CARIOCA: O Clube e a Prefeitura poderão esclarecer qual é o projeto em andamento e aprovação na Secretaria de Urbanismo, no Conselho Municipal de Patrimônio Cultural, e no IPHAN. Há que pedir vistas ao processo de 1984!

SEGUNDA ATUALIZAÇÃO EM 18/03/2015: O Jornal O Globo noticiou que o Clube pretende erguer um estádio de médio porte, a princípio para 20 mil pessoas, na Gávea ou em outro lugar, que a iniciativa conta com o apoio do Governo Estadual, e que as estruturas podem ser provisórias. Ou não...

URBE CARIOCA: Nem 4 mil nem 40 mil. "A princípio" 20 mil (Mais de 20 mil, menos de 20 mil?). "Na Gávea ou em outro lugar" (Onde?). "Arquibancadas provisórias" ou não: Na cidade não faltam exemplos de construções provisórias que se tornaram permanentes. Possivelmente a nota divulgada no O Globo teve o objetivo de fazer governos estadual e municipal conhecerem a reação da sociedade. 





Os dirigentes do Clube de Regatas do Flamengo – que fica na confluência entre os bairros Gávea, Leblon, Lagoa e Jardim Botânico – pretendem construir uma Arena Multiuso em parte do terreno cedido ao rubro-negro, na esquina das avenidas Borges de Medeiros e Mário Ribeiro, ao que consta com patrocínio da rede de hambúrgueres e sorvetes McDonalds, notícia que circulou na imprensa no ano passado.


O Globo, 01/10/2014: “O Flamengo aguarda apenas a liberação do prefeito Eduardo Paes, que deve sair em breve, para iniciar a construção de uma arena multiuso na área onde até há pouco funcionava um posto de gasolina em sua sede social, na Lagoa, Zona Sul do Rio. (...) Bancada pelo MacDonald's, a arena receberá não apenas jogos de basquete e vôlei, mas outros esportes olímpicos. O projeto já está pronto e aprovado pelo comando do clube, que encomendou uma animação com detalhes da localização da arena na sede da Gávea e como ela será”.



O blog Ninho da Nação informou ontem que o processo de construção está em fase final de análise pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN, segundo o qual há apenas uma pendência: “A assessoria de imprensa do IPHAN entrou em contato com o blog e informou que espera apenas que seja encaminhado pelo Flamengo a planta referente ao recuo que a construção terá em relação à Rua Mário Ribeiro”.

Por outro lado, quando o dirigente de outro clube de futebol pediu ao Prefeito do Rio que impedisse a construção da Arena do Flamengo, este declarou-se favorável à obra para ajudar o clube. O Urbe CaRioca entende que mudar o uso do solo e índices urbanísticos não salva clubes, e ainda pode destruir a cidade, mas, isso é assunto para outro post!


vimeo.com

As informações disponíveis no blog referido causam várias estranhezas, a começar pelo número do processo enviado pela Prefeitura ao IPHAN, iniciado em 14/09/1984, isto é, há 30 anos! Não é um engano, como comprovam a imagem abaixo e o informado no parecer nº 491/2014/COTEC/IPHAN/RJ DE 16/12/2014. Além disso, o objeto do processo é Construção da Sede Social do Clube de Regatas do Flamengo, denominação inespecífica quanto a Estádio ou Arena.




Em setembro/2013 o site Geração Rubro Negra noticiou estudos para construção de arena para 25 mil a 30 mil pessoas, ideia que não agradou ao então governador Sérgio Cabral: “Ele já vetara outro projeto de estádio na Gávea para 30 mil, e voltou a se mostrar desfavorável”.  Em junho/2014, segundo o blog O Meu Mengão, a Construtora Odebrecht esperava “definir Arena do Flamengo até janeiro” de 2015, para 25 mil a 30 mil pessoas sem, no entanto, mencionar o local.



“Alexandre Póvoa, vice-presidente de esportes olímpicos (...): Não estamos pedindo favor nenhum e ninguém para facilitar nada. Só queremos que os órgãos responsáveis resolvam os trâmites burocráticos e liberem a licença. Nosso projeto está todo financiado, com dinheiro 100% privado. Nenhum dinheiro estatal. Só dependemos da licença para começar a construção. Estamos a um ano e meio das Olimpíadas no Rio, temos um projeto pronto e o processo segue tramitando em órgãos públicos há um ano sem nenhuma solução. De lá para cá não tivemos nenhum avanço. Em qualquer lugar do mundo nós seríamos incentivados a construir um ginásio, menos aqui. O Flamengo tem o estacionamento dele, daqui a um ano vamos ter um metrô, não vejo mais porque não ser liberado. É um ginásio de 4 mil pessoas, não estamos falando de nada excepcional. Temos o Maracanãzinho e a Arena, mas que são inviáveis para os jogos do dia a dia”.




Segundo informado pelas redes sociais “O Ginásio terá um McDonald´s Drive Through. O parque infantil do clube será demolido, inclusive com o corte de árvores centenárias. Além de usada pelas equipes de Futsal, Vôlei e Basquete, feminino e masculino, do mirim ao adulto, durante boa parte da semana a arena poderá receber shows, espetáculos de teatro, dança, e circo. Não há previsão de estacionamento. O clube deseja também construir ali um estádio de futebol para 25 mil pessoas, mais três ginásios de grande porte e uma área para a Canoagem no espaço do Remo”.

A confirmar-se a aprovação do projeto atual de um Ginásio seguido pela construção de um Estádio de grande porte (embora, aparentemente, o terreno não comporte e o site do clube diga que o Estádio não será mais construído), estaremos diante de um quadro preocupante: o lugar é vizinho da Lagoa Rodrigo de Freitas, bem cultural tombado pelas esferas federal e municipal (significa que os órgãos de patrimônio cultural do município devem analisar), o uso de clube foi consagrado pelo PEU Leblon (decreto recepcionado como Lei Complementar após a vigência da Lei Orgânica do Município), e existem limites de altura máxima para construir. O trânsito cada vez mais caótico no Rio de Janeiro, por si, é motivo para afastar toda pretensão de atrair novos grandes eventos para a região.

De qualquer forma, há que conhecer o projeto que está no processo nº 06/370139/1984; o que diz a Secretaria de Urbanismo sobre o uso do solo perante os códigos de obras, se as atividades comerciais são permitidas tratando-se de cessão de uso; se os impactos causados pelas novas atividades são aceitáveis ou se devem ser evitados; e, finalmente, o que o clube pediu para construir em 1984: certamente não foi uma Arena Multiuso.

A considerar o post de ontem, o clube está confiante 

Esperamos que o IPHAN não extrapole suas funções. E o Rio de Janeiro que se cuide!


A assessoria de imprensa do IPHAN entrou em contato com o blog e informou que espera apenas que seja encaminhado pelo Flamengo a planta referente ao recuo que a construção terá em relação à Rua Mário Ribeiro. E que essa é a única pendência para completar a análise do Instituto e ter a provável liberação.
Repito: segundo o IPHAN, este é o único questionamento pendente para a licença ser obtida pelo clube. Entramos em contato com o Flamengo que informou que espera realmente que esta seja a última etapa para a liberação do processo e a devolução ao gabinete do prefeito do Rio para deliberação.
Não custa lembrar que outro pedido do órgão foi revelado aqui pelo blog, quando o IPHAN questionou o porquê da altura da arena multiuso. O clube teve que pedir um laudo da Confederação Brasileira de Vôlei para convencê-los de que o uso para vôlei exige uma altura mínima.
Que seja a última exigência mesma! (sic.)


2 comentários:

  1. Teve um post parecido com esse quando construíram o Lagoon ou só vale pro ginásio do Flamengo?
    O projeto passou por n adequações para atender todos os parâmetros de altura e porte do ginásio. O post também não cita que, em breve, haverão duas ou três estações de metrô num raio de 2km do clube. Também não menciona que os times de vôlei do Rexona e o próprio basquete do Flamengo gastam rios de dinheiro pra jogar no antigo e ultrapassado ginásio do Tijuca Tênis Clube (que esse ano chegou a ser fechado pelo MP, forçando ambos a jogarem sem público), para fugir dos altos preços cobrados por Maracanãzinho e HSBC Arena. E estamos falando da cidade sede das próximas Olimpíadas.
    Enfim, minha opinião é de que o post somente viu os "problemas" possíveis do empreendimento e simplesmente não mencionou (por esquecimento ou de propósito) os ganhos que a cidade terá.

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    1. Prezado Gustavo Neves,
      Obrigada pelo comentário. Com o Post esperamos que se dê início a uma discussão onde surjam várias visões e esclarecimentos sobra tema tão importante. O blog se atém a aspectos urbanísticos, em especial quanto às leis de uso e ocupação vigentes e os critérios de proteção do Patrimônio Cultural da Cidade do Rio de Janeiro. Transportes e impactos sobre o sistema viário da cidade aparecem nesse bojo, em geral com análises de especialistas obtidas em artigos publicados. Sobre os ganhos para o Rio, é evidente que é necessário aprofundar o assunto é, principalmente, dar publicidade ao que se pretende construir, para que os diversos segmentos da sociedade, instituições e academia possam conhecer melhor o pretendido e analisar as consequências. Esperamos que o post e comentários como este colaborem para abrir o diálogo e chegar ao que, de fato, seja melhor para a cidade, e não apenas para o clube. Obs. Na ocasião da aprovação do Laggon o Urbe CaRioca ainda não existia. Sugiro conhecer os posts com o marcador "Trambolhos". Atenciosamente.

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