quinta-feira, 30 de março de 2017

METRÔ DO RIO DE JANEIRO – O GLOBO CONCORDA COM BLOG URBE CARIOCA

Linha 4 original - Concessionária Rio Barra S.A.


Editorial do jornal O Globo de hoje diz:


Ontem publicamos mais um dos muitos posts sobre o Metrô do Rio de Janeiro, assunto recorrente neste blog desde a sua criação, em abril/2012, época em que as obras de expansão da Linha 1 por Ipanema e Leblon, falsamente batizadas de Linha 4, ainda não haviam começado.

A espantosa notícia de que os governos estadual e municipal realizaram estudos para construir mais uma extensão daquele modal – a partir da Estação Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca, em direção ao Recreio dos Bandeirantes (27 e 28/03) – gerou debates nas redes sociais, praticamente todas as opiniões contrárias à proposta, diante de tantas outras dificuldades nos transportes da cidade. Comentamos em, METRÔ PARA O RECREIO? CEPACS? PREFEITO NOVO, IDEIAS VELHAS, PROPOSTAS QUESTIONÁVEIS (28/03/2017).

Ontem, nova surpresa. Talvez na tentativa de “consertar” a situação, a novidade foi: 

Linha 4 do metrô pode ir para Jacarepaguá em vez do Recreio

Traçado para expansão do sistema dependerá de estudo de demanda

Segundo um representante do governo municipal “o traçado vai depender de estudos de demanda e da estimativa de quanto poderia ser arrecadado com a venda de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs)”. Ou seja, embora mencionada a demanda, o que influenciará decisão de tal importância para o Rio quanto à mobilidade urbana será a arrecadação prevista com a venda de Cepacs, e não o melhor atendimento à população do município e da Região Metropolitana! Uma leitora do blog informa que se trata de um pedido da Associação de Moradores e Amigos da Freguesia - AMAF.
Aguardemos a manifestação do Clube de Engenharia, Instituto de Arquitetos do Brasil, urbanistas e de outros profissionais da área urbanística, inclusive quanto ao aventado aumento de potencial construtivo dos terrenos na Zona Oeste, a panaceia de sempre que beneficia apenas o mercado imobiliário.
Pela enésima vez o blog repete: prioridades óbvias são concluir a Linha 2 e construir a Linha 4 original, único modo de darmos início a uma rede de Metrô e não prosseguir com o metrô-tripa.
O link para o editorial do O Globo de hoje está no título acima e AQUI.

Urbe CaRioca

Internet

Wikimedia
Nota: No dia 25/03 terminou a baldeação que se fazia na Estação General Osório para continuar o mesmo trajeto. Os trens da Linha 1 passaram a seguir direto para a Barra da Tijuca.

terça-feira, 28 de março de 2017

METRÔ PARA O RECREIO? CEPACS? PREFEITO NOVO, IDEIAS VELHAS, PROPOSTAS QUESTIONÁVEIS


Metrô, Linha 2. Diagrama: Página Metrô que o Rio Precisa

Ontem reunimos as sugestões e pedidos, deste blog urbano-carioca, feitos ao prefeito do Rio de Janeiro, desde a sua eleição no final do ano passado, no post OS 10 PRIMEIROS PEDIDOS AO NOVO PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO – RESUMO.
A notícia, revelada também ontem pelo Blog do Moreno, sobre a intenção da administração atual do município de unir-se ao governo estadual para construir extensão do Metrô da Barra da Tijuca ao Recreio dos Bandeirantes, é surpreendente. Ou, melhor, espantosa! Trecho:

“A ideia é aumentar em até um andar e meio o gabarito de construção para esses dois bairros da zona oeste da cidade para que os empresários que investirem nas construções e reformas de prédios na região patrocinem a extensão do metrô”.


Mais uma vez, ele, Sempre o Gabarito! Mais uma vez, acompanhado das alardeadas Cepacs! A dupla remete exatamente aos itens 7 e 8 da lista de pedidos que está no post da última sexta-feira.


Impressiona que no quinto dia de governo sejam apresentadas as mesmas soluções que garantem, com absoluta certeza, apenas benefícios para o mercado imobiliário, tal como foi feito, por exemplo, com o Projeto de Estruturação Urbana - PEU Vargens, e as leis para o Campo de Golfe e para aZona Portuária, em nome das Olimpíadas. O resto são desejos, intenções e conjecturas.
Curiosamente, o autor da proposta é o Ex-Secretário Municipal de Urbanismo da primeira gestão do prefeito Eduardo Paes, engenheiro titular da pasta responsável pelo encaminhamento do projeto de lei complementar que daria origem à LC nº 104/2009, o citado e famigerado PEU Vargens que permitiu, entre outras construções questionáveis, erguer o condomínio Ilha Pura, que NEM É ILHA, NEM É PURA. Hoje a região está mais uma vez em vias de receber novas mudanças, através de uma estranha Operação Urbana Consorciada – uma OUC a caminho!

Sendo o Secretário de Transportes conhecido engenheiro especialista no assunto, inclusive com participação profissional durante as primeiras fases de implantação deste modal na cidade, e crítico à escolha do trajeto que expandiu a Linha 1 – rebatizada, pelo governo estadual, de Linha 4 - é de se esperar que a contribuição do município seja eficaz, e que ajude a definir prioridades que beneficiem a população de fato e a cidade como um todo, para além do Metrô “Olímpico”, benefícios que, por si, serão estendidos à Região Metropolitana.

Mas, para além da crise e das indagações acima - CEPACS? GABARITOS? Sr. PREFEITO, SEJA DIFERENTE, NOVO, ORIGINAL! e O METRÔ NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO – realmente espanta que:

.   Mais uma vez, a Zona Norte seja esquecida, sem que se cogite mais a conclusão da Linha 2;
.   Mais uma vez a Linha 4 original - a que o governador transformou em Linha 5 - seja descartada;
.   Mais uma vez o governo apele para o aumento de gabaritos de altura e áreas máximas previstas para as edificações em cada bairro ou região, como se a cidade suportasse infindáveis adensamentos, e os planos urbanísticos pudessem ser alterados constante e irresponsavelmente apenas para gerar arrecadação ou supostas melhorias, benesses para o mercado imobiliário;
.   Mais uma vez o governo acene com supostas parcerias público-privadas e venda de Certificados de Potencial Construtivo – vide a Zona Portuária onde os Cepacs foram ignorados e, em seguida, arrematados integralmente pela Caixa Econômica Federal, cabendo lembrar que, sim, houve investimento de recursos públicos nas obras de urbanização, conforme noticiado pela grande imprensa, na época;
.   Mais uma vez o governo queira mudar índices urbanísticos sem considerar o tecido urbano edificado, causando possíveis prejuízos aos moradores e à harmonia dos conjuntos existentes, como foi proposto pelo incrível ‘Parque das Benesses Urbanísticas’, um engodo para justificar o injustificável Campo de Golfe dito Olímpico.

Por fim, causa espécie saber que o Tatuzão será usado para cavar 20km de túneis na Barra da Tijuca – onde a Avenida das Américas recebeu grandes obras de duplicação, reformas e implantação do BRT -, enquanto a extensão da Linha 1 (batizada de Linha 4) foi interrompida, e as obras da Estação Gávea estão paralisadas e a segunda plataforma da Estação Carioca é fantasma.

E você, caro leitor, o que pensa a respeito? Quais são as verdadeiras prioridades em termos de mobilidade urbana para a Cidade do Rio de Janeiro?

Urbe CaRioca

O engodo.

sexta-feira, 24 de março de 2017

OS 10 PRIMEIROS PEDIDOS AO NOVO PREFEITO DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO – RESUMO


Entre Dezembro/2016 e Fevereiro/2017 publicamos dez posts com pedidos e sugestões ao prefeito do Rio, então eleito e Chefe do Executivo desde o início de janeiro.

Abaixo, o conjunto de links com trechos de cada artigo. Muito mais há que pedir e sugerir. Novas propostas e ideias são benvindas. Mensagens para: 

Urbe CaRioca

Lagoa de Marapendi, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
Foto: Urbe CaRioca, março 2014



Neste post o Urbe CaRioca pede ao futuro prefeito que olhe a cidade com “olhos de ver” e repare (em ambos os sentidos) a invasão de áreas públicas, ora excessivamente e permanentemente privatizadas. São areias das praias, praças, canteiros centrais, e calçadas, ocupados por verdadeiros trambolhos, na maioria das vezes esteticamente inadequados, mal localizados, e com dimensões exageradas, que desqualificam e enfeiam a nossa paisagem urbana, além de retirar o caráter do que é público, isto é, para ser usufruído por todos, sejam os espaços em si ou a paisagem a ser vista.


Entre assuntos polêmicos recorrentes no Urbe CaRioca, para a lista de “pedidos” destacamos hoje: (1) a Arena de Basquete ou Estádio de Futebol que o Clube Flamengo pretende construir no terreno da Gávea/Leblon/Lagoa; (2) o famigerado Campo de Golfe dito olímpico, que frequenta estas páginas virtuais desde 2012.


O assunto Cinema Leblon parece extemporâneo. A ideia era pedir ao prefeito eleito que tombasse novamente o imóvel que foi protegido em 2001, quando da criação da Área de Proteção do Patrimônio Cultural - APAC do Leblon, e incompreensivelmente destombado em 03/09/2014 pelo atual prefeito, com vistas a permitir a construção de um edifício no valorizado terreno, na linha das inúmeras benesses para o mercado imobiliário concedidas nos últimos oito anos.
Ao abrir uma exceção sem fundamentos, a medida temerária pôs em risco os conceitos que nortearam a criação da APAC-Leblon, do mesmo modo que pode atingir qualquer área protegida conforme tais critérios.
PEDIDO 4 – QUE A AVENIDA E O PARQUE VOLTEM INTEGRALMENTE - CAMPO DE GOLFE: ALÉM DA BENESSE IMOBILIÁRIA SOBRE O USO DO SOLO
Perdemos a conta de quantas postagens este blog publicou para explicar a insensatez que representaria construir um Campo de Golfe para os Jogos Olímpicos 2016 – cuja real necessidade nunca foi comprovada – que, para tanto, sacrificaria uma grande parte do Parque Ecológico Municipal Ecológico Marapendi e impediria a conclusão da Avenida Prefeito Dulcídio Cardoso, uma Via Parque projetada ao longo da margem norte da Lagoa de Marapendi, avenida que, além de importante para o sistema viário da Barra da Tijuca, tem a função de separar as áreas privativas das áreas públicas, e limitar o parque ecológico.
PEDIDO 5 – ATENÇÃO À REGIÃO DAS VARGENS, ZONA OESTE DO RIO, E À ESTRANHA OUC A CAMINHO! - PEU VARGENS – AEIU FOI PRORROGADA
Para lembrar, aquela lei foi vetada pelo antecessor do hoje Prefeito do Rio, que arguiu a sua inconstitucionalidade. Porém o processo foi abandonado pela atual administração, que sancionou a proposta, acrescida de mais benesses urbanísticas, ainda, em relação à proposta anterior, com novos aumentos de gabaritos de altura e áreas de construção. Por outro lado, esta a mesma gestão suspendeu a aplicação do PEU Vargens desde novembro/2013 ao criar a Área de Especial Interesse daqueles bairros – a AEIA das Vargens – que impediu novos licenciamentos de obras exceto as ligadas direta ou indiretamente aos Jogos Olímpicos: criou-se uma espécie de reserva de mercado, na região, para apenas uma parcela de empreendedores e construtores envolvidos com a realização das obras ligadas direta ou diretamente aos Jogos Olímpicos. Posteriormente, permitiu-se a construção de casas com até duas unidades.
Além de modificar a estrutura administrativa, a lista de decretos também contém algumas medidas, e muitas propostas sobre questões fiscais e financeiras, segurança pública, áreas de saúde e educação, transportes, setor cultural, meio ambiente, e assistência social. Chama a atenção a ausência de menção às questões urbanas, fora a intenção de criar um parque na Zona Oeste e exigir um laudo para obras de grande porte, coisa que já existe. Por isso a pergunta deste blog: Sr. Prefeito, e o Urbanismo?
Impressiona que no quinto dia de governo sejam apresentadas as mesmas soluções que garantem, com absoluta certeza, apenas benefícios para o mercado imobiliário, tal como foi feito, por exemplo, com o Projeto de Estruturação Urbana - PEU Vargens, e as leis para o Campo de Golfe e para aZona Portuária, em nome das Olimpíadas. O resto são desejos, intenções e conjecturas.
Curiosamente, o autor da proposta é o Ex-Secretário Municipal de Urbanismo da primeira gestão do prefeito Eduardo Paes, engenheiro titular da pasta responsável pelo encaminhamento do projeto de lei complementar que daria origem à LC nº 104/2009, o citado e famigerado PEU Vargens que permitiu, entre outras construções questionáveis, erguer o condomínio Ilha Pura, que NEM É ILHA, NEM É PURA. Hoje a região está mais uma vez em vias de receber novas mudanças, através de uma estranha Operação Urbana Consorciada – uma OUC a caminho!

PEDIDO AO PREFEITO: 8 – O METRÔ NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

Sendo o Secretário de Transportes conhecido engenheiro especialista no assunto, inclusive com participação profissional durante as primeiras fases de implantação deste modal na cidade, e crítico à escolha do trajeto que expandiu a Linha 1 – rebatizada ,pelo governo estadual, de Linha 4 - é de se esperar que a contribuição do município seja eficaz, e que ajude a definir prioridades que beneficiem a população de fato e a cidade como um todo, para além do Metrô “Olímpico”, benefícios que, por si, serão estendidos à Região Metropolitana.

PEDIDO AO PREFEITO 9 – NÃO, A MAIS UMA TORRE NO HOTEL NACIONAL!

O projeto para reforma da famosa torre cilíndrica projetada por Oscar Niemeyer pode ter se beneficiado das leis “pra Olimpíada” que criaram inúmeras benesses urbanísticas e fiscais dirigidas à construção de hotéis para a indústria da construção civil. Essas leis – o chamado Pacote Olímpico* – que aumentaram gabaritos de altura e índices construtivos para hotéis em praticamente todas as regiões da cidade, no caso do Hotel Nacional foram ainda mais generosas.

PEDIDO AO PREFEITO 10 – PRAÇAS EM BOTAFOGO, etc.

Este pedido do blog Urbe CaRioca é antigo. Nova gestão da Cidade do Rio de Janeiro, hora de relembrar. Em várias postagens sugerimos que a Prefeitura observasse a carência de espaços livres para atividades de lazer e contemplação, ou seja, praças públicas, nos bairros de Botafogo e Humaitá. Em VENDO O RIO, NO ESTADO – ESTUDO DE CASO: BOTAFOGO (03/07/2012) mostramos que as poucas áreas livres existentes são insuficientes e, por vezes em local inadequado. É o caso do Largo do Humaitá, nesgas verdes entre pistas de automóveis com tráfego intenso, possivelmente lugar agradável há mais de meio século quando Botafogo era ainda aprazível.



Internet

 

quarta-feira, 22 de março de 2017

CAIS DOS MINEIROS - MAIS SOBRE O NOVO MUSEU DA MARINHA

A notícia sobre a construção de um museu sobre o molhe das antigas Docas da Alfândega do Porto do Rio foi publicada na grande mídia segunda-feira, dia 20/03 e, no mesmo dia, comentários e discussões a respeito borbulhavam redes sociais, como dissemos ontem em ÁREAS DA MARINHA CONTINUAM EM FOCO: NOVO MUSEU E NOVA POLÊMICA À VISTA.


Biblioteca Nacional – Michellerie , E. de La – Planta do Rio de Janeiro – 1831 – Prainha e Praia dos Mineiros
(Imagem obtida em Praia dos Mineiros - Outrora - Um Passeio no Tempo)


Poucos acharam o projeto interessante. Em outras opiniões o desenho arquitetônico foi chamado desde ‘Caixote de Bacalhau’ até ‘Arca de Noé’, entre espantos com a obra que embrulha o antigo cais de pedra. Não faltaram questionamentos sobre a real necessidade de mais um equipamento na cidade - diante de tantos museus abandonados -, e sobre o dispêndio de recursos públicos em face da grave crise econômica que o país atravessa.

Ontem mesmo o blog ancelmo.com publicou nota enviada pela Marinha do Brasil explicando que o prédio existente não era histórico, pois fora construído em 1996, ou, “uma grande reforma” como consta no site daquele Espaço Cultural. A explicação está em Marinha explica: prédio que dará lugar a novo museu não é 'histórico', mas de 1996, fato do qual havia ciência durante o debate virtual. Ainda assim discutia-se não apenas o prédio em si, mas o sítio histórico como um todo, embora houvesse unanimidade quanto à inserção harmônica, da construção, na paisagem.

Hoje a polêmica continuou na mesma coluna jornalística de com a nota Ex-ministra da Cultura critica projeto de novo Museu Marítimo do Brasil reproduzida abaixo:


Museu Marítimo do Brasil
Choveu e-mail de gente preocupada que, com a construção do futuro Museu Marítimo do Brasil, seja destruído o prédio “histórico” onde hoje fica o Espaço Cultural da Marinha. Só que a Marinha explicou tratar-se de um prédio de 1996, que não é tombado, e tem aquela aparência “histórica” por ter sido inspirado na Cordoaria Nacional de Lisboa, esse construído no século XVIII.
Mas a ex-ministra da Cultura, Ana de Hollanda, por exemplo, discorda: "Se o fato de não ser autêntico é motivo para substituir a construção por um prédio moderno, daqui a pouco vai ter gente usando o mesmo argumento para pôr abaixo o Teatro Municipal, inspirado no Ópera de Paris, por não ser, também, uma arquitetura original brasileira”.


Muita água vai rolar por baixo dos arcos do antigo molhe do Cais dos Mineiros - na antiga Praia dos Mineiros -, pelo menos enquanto ele não for embrulhado.

Aguardemos a opinião dos órgãos responsáveis pela proteção do patrimônio histórico.

Urbe CaRioca

Imagem de 1971, GSZENDRODI,  site Panoramio, internet



terça-feira, 21 de março de 2017

ÁREAS DA MARINHA CONTINUAM EM FOCO: NOVO MUSEU E NOVA POLÊMICA À VISTA


A imagem de projeto para a construção de um “novo museu” na cidade do Rio de Janeiro, onde funciona o Espaço Cultural da Marinha, publicada ontem (OG, coluna Ancelmo Gois) já causa polêmica nas redes sociais, em especial observações do grupo S.O.S. Patrimônio.
A proposta cria um volume inteiriço de linhas simples e elegantes, que parece “embrulhar” o prédio existente e a base que o sustenta. Mas, a nota sugere tratar-se de construção nova, projeto arquitetônico que visa criar o Museu Marítimo do Brasil.
O prédio atual resultou de uma reforma nas antigas Docas da Alfândega do Porto do Rio, em 1996, cujo projeto poderia até ser questionado. Entretanto, o molhe de pedra - base onde está apoiado - parece ser o mesmo cuja construção teve início em 1853 (v. Cronologia em Um Porto para o Rio, org. Maria Inez Turazzi) e que pode ser visto na foto de Marc Ferrez* de 1885. Retirá-lo da paisagem é objeto de absoluto questionamento. 

Cais dos Mineiros e Igreja da Candelária, Centro do Rio de Janeiro
Antigas Docas da Alfândega, Foto: Marc Ferrez, 1885 - a conferir

Obs. No site Uol Notícias consta: Vista do centro do Rio de Janeiro entre 1893 e 1894, onde ficava o Cais dos Mineiros e, atualmente, está o 1º Distrito Naval, ao lado da Praça 15. Em primeiro plano, da esquerda para a direita, as docas da Alfândega com seus armazéns, seguidas das fachadas das ruas Visconde de Itaboraí e Visconde de Inhaúma. Em segundo plano, as torres da Igreja da Candelária - Imagem: Coleção Juan Gutierrez/Museu Histórico Nacional

O Cais dos Mineiros está no Mapa arquitetural da cidade (1874) de Rocha Fragoso, consultado em Dos Trapiches ao Porto, de Sérgio Tadeu de Niemeyer Lamarão e em diversas fotografias e desenhos antigos.
Independentemente de qualquer outra questão, a tratar-se de um molhe de pedra com mais de 150 anos, a tentativa de escondê-lo deve ser, no mínimo, debatida, se não descartada de vez. Ou o patrimônio cultural da cidade ficará restrito a fotografias em livros.
E você, leitor, o que pensa a respeito?
Urbe CaRioca

NOTA:
Está na Ordem do Dia de amanhã - quarta-feira, dia 22 de março, às 15h -, em primeira discussão o Projeto de Lei nº 1883/2016 que DISPÕE SOBRE O SISTEMA DE PROTEÇÃO DO PATRIMÔNIO CULTURAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
Este Projeto de Lei foi escrito com a participação da Sociedade Civil, em especial do grupo S.O.S. Patrimônio, articulado no Grupo de Trabalho Situação do Patrimônio, desta Comissão.
A Sessão Plenária é aberta a todos os interessados, militantes e ativistas do tema. (https://www.facebook.com/events/242892272785068/)
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A mesma fotografia de Marc Ferrez foi colorida e faz parte do livro Rio, Pena e Pincel, de Leonel Brayner, Heloisa Seixas e Ruy Castro.


domingo, 19 de março de 2017

O RIO DE JANEIRO, O LABIRINTO DE FAJARDO, E AS PRAÇAS VENDIDAS


Passeio Público, mar.2016. Foto: Mário Rodrigues


Ontem o arquiteto Washington Fajardo nos brindou com um belo artigo publicado no jornal O Globo. O título sugestivo – Labirinto – escondia mais do que a dificuldade de encontrar uma saída para as dificuldades que vivem o Rio de Janeiro e os cariocas: em meio a percurso variado desde uma das muitas trágicas mortes recorrentes na cidade do Rio de Janeiro, o autor vagueia da zona sul à zona norte, pelos subúrbios cariocas, e pela região metropolitana; relata a degradação do outrora bucólico Largo do Machado, e lembra a imobilidade urbana - que, na nossa urbe, já é pior do que a paulistana -, tudo em meio a “décadas de crianças perdidas”.

Ao contrário de seus artigos usualmente sobre urbanidades em geral, o texto de Fajardo traz uma face muito dura da realidade visível do Rio em ruas e praças, a face de vidas sem futuro à vista. É prosa com um quê de poesia melancólica.

“Assustam-me crianças em sonhos de cola ziguezagueando pelas ruas. Ofereci um lanche. Mora onde? Nova Iguaçu. Conhece a praça tal? Sim. Fui eu que desenhei. Gosta de praça? Os olhos correm para lugar de tempo indefinido. Foi. Levou o salgado. Não terminou o suco. Vejo a notícia de uma praça sendo vendida. Não vi direito a reportagem. Estava com pressa”.

É verdade, muitos terrenos por lei destinados a praças, foram desafetados do uso público e vendidos. Do mesmo modo, outros imóveis que poderiam ser transformados em praças – próprios municipais e estaduais - foram vendidos para o mercado imobiliário, tema de vários posts neste blog, o último de fevereiro passado (PEDIDO AO PREFEITO 10 – PRAÇAS EM BOTAFOGO, etc.).

Para cumprir sua função, as áreas públicas e praças precisam ser espaços agradáveis, conservados e seguros. Para serem frequentadas por crianças e jovens com futuro, que também frequentem boas escolas, há que fazer muito mais.

O artigo do arquiteto Fajardo está abaixo.

 

Urbe CaRioca

Passeio Público, dez.2016. Foto: Marconi Andrade



Washington Fajardo, O Globo, 18/03/2017

Por que tamanha diferença na mobilidade urbana do Rio? Que fatos haviam levado a tal condição? Por que cidades são assim? Perguntas que eu queria equacionar

Ainda choro quando me lembro do menino João Hélio Fernandes Vieites.

Ele foi assassinado em 7 de fevereiro de 2007. Faz dez anos que morreu, arrastado pelas ruas entre Oswaldo Cruz e Cascadura.

A vida girou, e o horror da sua morte virou arquivo. Assim como hoje a paz no Rio parece converter-se em lembrança.

Minha enteada tinha 9 anos, e meu filho tinha 1 ano naquele dia da besta.

Fui morador do Campinho. Conhecia aqueles lugares.

(...)