sábado, 20 de maio de 2017

O MÊS NO URBE CARIOCA – FEVEREIRO 2017

Foto: Alexandre Albuquerque, fev. 2017

 

O mês de FEVEREIRO 2017, no blog, teve início com um belo artigo de Paulo Nascimento sobre a Igreja de Santa Luzia, no Centro do Rio, aquela aonde o mar chegava aos pés.

Encerramos a série de pedidos ao prefeito da Cidade do Rio de Janeiro. Foram dez. Daqui para frente qualquer dia será dia de pedir, sugerir, questionar e elogiar!
O futebol esteve nestas páginas virtuais, onde a bola não rola. A assunto foi o desejo de clubes que querem construir estádios e, para tanto, querem terrenos públicos – doados, diga-se – ou mudanças nas leis urbanísticas que vedam o uso.

Sobre as grades na Orla Conde que causaram polêmica, surgiu a promessa de serem substituídas por um guarda-corpo adequado à paisagem.

PEUs e IPTU, mais dois temas controversos, passaram por aqui em fevereiro. Canagé Vilhena opinou.

Reclamilda estava “azeda” no Carnaval. Ficou pensando sobre o País e o Rio, estranhas indenizações e fatiamentos. Nada contra que os outros pulassem e sassaricassem.

Boa leitura.


Urbe CaRioca

FEVEREIRO 2017














quarta-feira, 17 de maio de 2017

CLUBE FLAMENGO – POR QUE NA GÁVEA/LEBLON/LAGOA?


E a reação de moradores da região.


Na última sexta-feira, 12/05, publicamos CLUBE FLAMENGO – AGORA É UM ESTÁDIO. ACÚSTICO., quando foi assinado protocolo de intenções entre o Clube e a Prefeitura com vistas à construção de um estádio de futebol, no mesmo terreno onde hoje ficam o campo, uma arquibancada de concreto, e a sede social do clube, no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro.

 O assunto frequentava estas páginas virtuais desde março/2015. O rubro-negro anunciara a intenção de construir uma arena multiuso com capacidade para 4.000 pessoas, seguida pela hipótese de um estádio de médio porte (v. lista no final do artigo), desejo antigo daquele e de vários outros clubes de futebol (v. FLAMENGO, FLUMINENSE, BOTAFOGO... TODO CLUBE QUER ESTÁDIO!).


A questão levantada em abril/2016 em CLUBE FLAMENGO – AFINAL, ARENA OU ESTÁDIO? fora praticamente esclarecida quando reportagem na grande imprensa divulgou “Flamengo intensifica estudos sobre locais para construção de estádio - Projetos que vão da Gávea ao Parque Olímpico. O clube enfrenta resistências (OG, 31/03/2017).

Segundo a notícia, além de erguer um estádio próprio depender “de boa vontade política”, havia “cinco opções na mesa da diretoria” para análise enquanto o clube usa a Arena da Ilha (alugada): Maracanã, Niterói, Gávea, Parque Olímpico, e Barra de Guaratiba. E mais: “A direção dá prioridade hoje ao projeto da Gávea, sede do Flamengo, mas enfrenta resistência da associação de moradores do bairro, apesar das novas estações de metrô”.

Não repercutimos a notícia aqui, aguardando novas definições. Quanto à Gávea, vale lembrar que a arena havia sido aprovada pelo prefeito anterior no final de sua gestão.
Voltando ao referido protocolo de intenções para a construção de um estádio, já explicamos que o terreno “da Gávea”, fica no bairro do Leblon, confluência com os bairros da Lagoa e Gávea (o campo existente é provavelmente conhecido como ‘campo da Gávea’ porque o local ficava na Freguesia da Gávea, conforme antiga divisão administrativa da cidade).

Sobre ser Arena ou Estádio, um atento leitor deste Urbe CaRioca nos informou que o Flamengo pretende construir os dois equipamentos - um Estádio Acústico, de futebol, para 25.000 pessoas e a Arena Multiuso com capacidade para 3.800 espectadores, ambos no terreno “da Gávea”: o primeiro onde ficaria o campo atual, e o segundo no trecho com frente para a Av. Borges de Madeiros, voltado para a Lagoa Rodrigo de Freitas.

A notícia gerou muitos comentários nas redes sociais, a grande maioria dos moradores da região manifestou-se contrariamente ao projeto, como já havia acontecido quando anunciada a construção da arena. Torcedores do clube manifestaram-se favoravelmente à pretensão, conforme esperado.

Cabe voltar à pergunta do título: Por que na Gávea/Leblon/Lagoa? Justamente onde existe um nó de trânsito?

A cidade dispõe de inúmeros equipamentos esportivos, concentrados na Zona Sul e na Zona Oeste, inclusive os do hoje abandonado Parque Olímpico, salvo o Maracanã e o Engenhão, este construído na Zona Norte para os Jogos Pan-americanos 2007, trazendo alguma descentralização.



A antiga Freguesia da Gávea era área pouco densa, distante do Centro da Cidade, ocupada por fábricas e muitas favelas quando o clube recebeu a cessão da área, em 1931. A cidade mudou, e, no século XX cresceu para a Zona Sul, em um segundo movimento após o desenvolvimento do eixo Centro-Zona Norte, como a história do Rio ensina.

Os dirigentes do clube entendem que erguer um estádio próprio depende de boa vontade política. Entendemos que equipamentos urbanos de tal porte e influência extrapolam a vizinhança e até a cidade. Antes da “boa vontade”, os gestores públicos precisam avaliar as consequências da decisão do ponto de vista urbanístico, e indicar o lugar que melhor atenda à urbe e à população, aproveitando a oportunidade para qualificar regiões desprovidas, e não saturando ainda mais aquelas bem servidas. Ou seja, praticando a boa Política Urbana.

Repetindo outro atento leitor: “Na Zona Norte será bem-vindo!”.


NOTA: Pedimos ao Prefeito que analise o assunto mais uma vez, e sugerimos a leitura do artigo abaixo, cuja autoria é da professora e jurista Sonia Rabello.





Urbe CaRioca



terça-feira, 16 de maio de 2017

PRÉDIO DO FLAMENGO, HOTEL GLÓRIA, MARINA DA GLÓRIA, E O TRIÂNGULO REEDITADO


As leis urbanísticas vigentes na Cidade do Rio de Janeiro vedam o uso de hotel nas zonas classificadas como Zona Residencial 2, ZR-2. É o caso da Avenida Rui Barbosa.

Devido ao desejo de permitir a transformação de uso do prédio pertencente ao Clube Flamengo, situado no número 170 daquela avenida, quando da edição do primeiro grupo de leis conhecidas como “Pacote Olímpico”, em 2010, uma vereadora - e presidente do clube na época - fez emenda ao projeto de lei complementar que se tornaria a LC nº 108/2010, permitindo a atividade de hotel em todo o bairro do Flamengo.

O objetivo era abranger o prédio em questão e tornar viável a venda/arrendamento do imóvel para o grupo empresarial que pretendia construir o que chamamos de “Triângulo da EBX”, objeto de vários posts neste blog, formado por um novo hotel nesse prédio, o Hotel Glória, e a Marina da Glória. Exemplos:

12/07/2013 - CAMPO DE GOLFE E HOTÉIS: ENCONTRADOS ALGUNS DOS “PROCURADOS”

08/04/2015 - NO FLAMENGO e DO FLAMENGO – MORADIA, HOTEL, ABANDONO e INVASÃO - AI QUE EDIFÍCIO COMPLICADO!

27/05/2015 - O PRÉDIO DO FLAMENGO, OUTRA VEZ

19/01/2016 - O HOTEL GLÓRIA, OS ÁRABES, E O TRIÂNGULO DO Sr. X

04/05/2017 - MARINA DA GLÓRIA – CENTRO DE CONVENÇÕES ASSOMBRA PARQUE DO FLAMENGO. DE NOVO.

 


Comentários de moradores da região variavam entre a preocupação com possíveis transtornos a serem causados pelo exercício da atividade, e a melhoria das condições de segurança local.

Independente da pretendida transformação para hotel na Avenida Rui Barbosa, em si, e do bondoso perdão de dívida de IPTU concedido ao proprietário – o Clube Flamengo - causavam estranheza as outras duas pontas do “triângulo”: o citado Hotel Glória e a Marina da Glória, também então sob a responsabilidade das empresas do grupo de Eike Batista: o hotel cartão-postal do Rio estava passando por obras de reforma (na verdade uma reconstrução, pois fora total e inexplicavelmente demolido por dentro); a Marina receberia uma nova construção, empreendimento comercial gigantesco que, entre outras atividades, abrigaria um Centro de Convenções em pleno Parque do Flamengo, ‘O Projeto Impossível’.


Doodle do Google que homenageou Lota Macedo Soares

O projeto do hotel não foi adiante, a licença de obras caducou, o prédio abandonado foi invadido, os invasores foram retirados, o projeto para a Marina da Glória foi modificado, reduzido e construído - sem o Centro de Convenções – e o Hotel Glória que fora destruído, está com as obras paralisadas até hoje. Tudo permeado pelo ocaso das empresas “X”.

Agora, tudo indica que o antigo triângulo pode ser reeditado. Segundo notícia do último sábado, a Câmara de Vereadores aprovou proposta do Executivo, de 2016, permitindo a transformação de uso do prédio para hotel. É projeto singelo, com apenas um artigo, apenas para um imóvel, tema para a análise por juristas. Irá à sanção do Prefeito.


EMENTA: PERMITE A TRANSFORMAÇÃO DE USO DA EDIFICAÇÃO SITUADA À AVENIDA RUI BARBOSA, Nº 170, NO FLAMENGO.
Autor(es): PODER EXECUTIVO
A CÂMARA MUNICIPAL DO RIO DE JANEIRO
DECRETA:
Art. 1º Fica permitida a transformação de uso da edificação localizada à Avenida Rui Barbosa, nº 170, Flamengo - IV R.A. para o uso residencial e hoteleiro.
Art. 2° Esta Lei Complementar entra em vigor na data de sua publicação.


Em outra ponta, o grupo atualmente responsável pela Marina da Glória, no Parque do Flamengo, afirma que fará o famigerado Centro de Convenções estranho à finalidade da área (v. Urbe CaRioca: MARINA DA GLÓRIA – CENTRO DE CONVENÇÕES ASSOMBRA PARQUE DO FLAMENGO. DE NOVO. e MAIS SOBRE O PRETENDIDO CENTRO DE CONVENÇÕES NA MARINA DA GLÓRIA), mesmo com a recente inauguração de local para eventos/centro de convenções para cerca de 700 pessoas, no hotel que fica no Aeroporto Santos Dumont.

Quanto ao Glória, o terceiro vértice do finado triângulo da EBX, o hotel que foi um ícone da cidade continua abandonado (v. Estadão,18/03/2017).

O assunto parece inesgotável.

Urbe CaRioca

 

 


sexta-feira, 12 de maio de 2017

CLUBE FLAMENGO – AGORA É UM ESTÁDIO. ACÚSTICO.


Favela Praia do Pinto. Sem data. Imagem: internet

Entre os posts publicados neste blog desde 2015 sobre a polêmica que envolve o clube rubro-negro e a construção de um equipamento urbano no terreno que fica na confluência dos bairros da Leblon, Lagoa e Gávea, um perguntava: CLUBE FLAMENGO – AFINAL, ARENA OU ESTÁDIO? (Urbe CaRioca, abril/2016). Em setembro, a grande imprensa informou que a Arena do Clube fora autorizada (Urbe CaRioca, 17/09/2016 - ARENA DO CLUBE FLAMENGO É AUTORIZADA).

Hoje, uma surpresa.

O prefeito do Rio assinou um protocolo de intenções sobre a construção do que foi chamado de um “estádio acústico”, naquele terreno (O Globo on line, 12/05/2017, com vídeo).

Segundo o presidente do clube, o estádio construído na Ilha do Governador pode ser usado durante os próximos três anos, enquanto o estádio da Gávea é construído.




Youtube - site oficial do Flamengo


Portanto, a resposta ao post de abril/2016 chega pouco mais de um ano depois: será um estádio.

Ou a arena para 4.000 pessoas, aprovada pelo prefeito anterior, era figura de ficção, ou a intenção primária era mesmo construir um estádio, garantindo-se a possibilidade de ter a arena até poder investir em nova tentativa, perante a prefeitura do Rio, para ter um estádio na Zona Sul da cidade, diante da nova administração municipal.

Quem aprovará o projeto em área que já foi cercada de favelas, hoje cartão-postal, uma das regiões mais nobre do Rio, em meio a um permanente nó de trânsito e qual será a capacidade pretendida?

Parece que teremos nova polêmica à vista.

Urbe CaRioca





Postagens sobre o Clube Flamengo no Blog Urbe CaRioca

06/04/2016 - CLUBE FLAMENGO – AFINAL, ARENA OU ESTÁDIO?

26/07/2016 - FLAMENGO: UM TRAMBOLHO NO PRÉDIO ABANDONADO - FIM DO MISTÉRIO

27/08/2016 - CLUBE FLAMENGO - ÁRVORES, ARENA E SANDUÍCHES

29/08/2016 - CLUBE FLAMENGO DA GÁVEA QUER DERRUBAR TRINTA ÁRVORES, de Evelyn Rosenzweig

17/09/2016 - ARENA DO CLUBE FLAMENGO É AUTORIZADA


segunda-feira, 8 de maio de 2017

UM RETRATO DA ZONA DA LEOPOLDINA NA GEOGRAFIA CARIOCA, de Hugo Costa

O geógrafo Hugo Costa já nos brindou com o artigo BRT TRANSCARIOCA, UM LEGADO PARA QUEM?, de enorme repercussão neste blog, com mais de 2000 visualizações em apenas 48 horas, e ainda o mais lido dos últimos 30 dias.
Em novo texto, o autor traça um panorama da Zona Norte da Cidade, região que precisa da atenção dos gestores públicos para além das falhas encontradas nos (des)caminhos do BRT.
Boa leitura.

Urbe CaRioca

Zona da Leopoldina: uso de solo predominantemente residencial, com baixa verticalização e poucas áreas verdes, próxima ao Centro do Rio de Janeiro.

UM RETRATO DA ZONA DA LEOPOLDINA
NA GEOGRAFIA CARIOCA
Hugo Costa

A região assim chamada por seus bairros serem cortados pela Antiga Estrada de Ferro Leopoldina, tem forte identificação cultural e geográfica com uma parcela de moradores da Zona Norte. Também é conhecida como a terra do samba e do choro (lar do Bloco Carnavalesco Cacique de Ramos, da Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense e do saudoso Pixinguinha), possui um dos mais antigos pontos turísticos da Cidade do Rio de Janeiro, a Igreja da Penha. Foi famosa também pelas suas calmas e cristalinas praias na Baía da Guanabara, e referência na Belle Époque carioca como um local de moradia abastada. No entanto, sua franca decadência nos últimos 40 anos assusta uma geração inteira que a viveu.
Nem tudo pode ser apenas nostalgia: indicadores mostram as carências e as oportunidades de reversão deste cenário, o que pode impedir enorme dispêndio - áreas e serviços públicos - decorrente do crescimento rumo à zona oeste ditado meramente por especulação imobiliária e lucro privado ou intencional isolamento , que lembra a reprodução de procedimento usado no passado com Zona da Leopoldina para a “higienização” da Zona Sul do Rio.
Quando se trata da Zona da Leopoldina, o mais importante é conhecer a região além do estereótipo de violência de seus bairros vizinhos (Bairro Complexo do Alemão e Bairro Maré). Engana-se quem acha que conhecê-la seria apenas andar por suas ruas e conversar com os moradores sobre passado e presente. A própria internet já disponibiliza dados sobre o cenário atual da Zona da Leopoldina e de todo o Rio de Janeiro, dados que serão comentados principalmente sobre os bairros da X e XI Regiões Administrativas - Bonsucesso, Brás de Pina, Olaria, Penha, Penha Circular e Ramos -, que compõem a área em questão.
Apesar do dito histórico de violência do entorno da região, os indicadores do ISP (Instituto de Segurança Pública) mostram que a Zona da Leopoldina apresenta dados condizentes com outros bairros da Zona Norte, inclusive inferiores a alguns bairros considerados nobres.
Além do ISP, os ambientes pesquisados foram: IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPP (Instituto Pereira Passos), e documentos da própria Prefeitura do Rio.
Chama a atenção, com base no RAIS (Relação Anual de Informações Sociais) 2013, a distribuição geográfica da Massa Salarial - valor total de salários pagos em empregos formais do local - no território carioca. A Área de Planejamento 1 (Centro do Rio mais alguns bairros próximos) indubitavelmente ocupa o  primeiro lugar, mas cabe à AP3 (Regiões Administrativas do Méier, Madureira, Maré, Inhaúma, Irajá, Anchieta, Ramos, Penha e Ilha do Governador) o segundo lugar. A Zona da Leopoldina representa a maior parcela com 30% (RA de Ramos e Penha) desta renda formal na AP3, sendo seguido pela RA Ilha do Governador com 21%, ou seja, a Zona da Leopoldina ainda tem representação importante na geração de salários no município do Rio.
Outro indicador que chama atenção na AP3 é o uso do solo: 83,87% da área útil (excluindo afloramentos rochosos, hidrografia e áreas sedimentares) é utilizada, mais até que a AP1 com 82,38%. Na AP3 predomina o uso residencial com 62,1%, sendo, portanto, a área de planejamento com maior uso de solo para fins residenciais do Rio de Janeiro, como ratifica o IBGE: conforme o Censo 2010, 38% da população carioca lá residem. 
Dois indicadores combinados geram um quadro positivo: a alta utilização do solo para residências e a renda disponível. Mas a realidade é diferente. Apesar da boa geração de renda, os anos de degradação do espaço público da região estimularam a população a migrar seletivamente, principalmente famílias de maior renda que escolhem outro lugar para morar, mantendo sua fonte de renda em uma região e levando o seu consumo em bens e serviços para outra, transformando a cidade em um constante caos para a mobilidade urbana, com engarrafamentos, e dificultando o  planejamento de logística de abastecimento e o planejamento da oferta de serviços particulares e públicos.

Em números absolutos, entre o Censo 2000 e 2010 do IBGE, a AP3 teve um grande esvaziamento na faixa de mais de 10 Salários Mínimos e um grande crescimento entre 1 e 3 Salários Mínimos. De todo o Rio, apenas a AP4 cresceu na faixa de mais de 10 salários mínimos.
Mas o que evitaria esta polarização da cidade do Rio de Janeiro? De início, poderia ser o balanceamento de oferta de espaços e serviços municipais entre as regiões de forma a motivar a reocupação da área. No Plano Estratégico da Prefeitura do Rio 2009 – 2012 lê-se:
"Há um grave desequilíbrio no nível e dinamismo econômico entre as diversas regiões da cidade (Barra x zona da Leopoldina, por exemplo)".
Há desequilíbrio também quanto à oferta de áreas de lazer: a análise geográfica com dados de 2013 mostra que a AP3 tem o menor percentual de áreas de lazer da cidade (12%), embora lá resida mais de um terço dos cariocas. Em comparação, a AP2 (Zona Sul e Grande Tijuca) possui 20% das áreas de lazer e tem apenas 16% da população. A Zona Oeste (AP 4 e AP 5 juntas) tem 60% das áreas de lazer com um pouco mais de habitantes que a AP3. Como agravante triste, as praias da AP3 enquanto áreas de lazer se tornaram inúteis nos anos 80 devido ao nível de poluição registrado.
Distribuição geográfica da População e das Áreas de Lazer disponíveis

O plano que poderia alterar esta situação previa a construção do Parque Olímpico na Área de Planejamento 3, próximo à Zona da Leopoldina, mas seria necessário resolver a questão do esgoto lançado in natura na região. A decisão foi não tratar o esgoto e construir a estrutura na Baixada de Jacarepaguá, aumentando a disponibilidade de áreas de lazer na Zona Oeste para além dos 60%. O Parque Madureira, com as expansões e sua área total, aumentou essas áreas em apenas 1% na AP3, crescimento anulado no quadro geral devido à concomitante destruição das praças na Zona da Leopoldina.
 A questão ambiental é um aspecto também discrepante na região: toda área da AP3 dispõe apenas 7,74% de cobertura vegetal, perdendo até para a AP1, que possui 14,83%. Em comparação, áreas de planejamento ditas mais nobres da Cidade possuem entre 40% e 50% de seus territórios cobertos por área verde. Os piores indicadores dentro a AP3 recaem, mais uma vez, sobre a Zona da Leopoldina, com destaque para a inexpressiva contribuição da Região Administrativa de Ramos, o que afeta diretamente a saúde e conforto ambiental da população desta região.
 
Distribuição de áreas verdes na Cidade do Rio, destaque para a AP3 e suas Regiões Administrativas

Com base em estatísticas, verificamos onde a gestão municipal precisa atuar em benefício da Zona da Leopoldina para que não se perpetue o estigma de uma região da cidade “perdida”. Números e estatísticas são gerados para que auxiliem a administração pública: não cabe ao gestor público ignorá-los, mas, sim, utilizá-los para identificar as necessidades da população e melhorar a qualidade de vida em toda cidade e levar à economia na máquina municipal com maximização do uso dos serviços e estruturas já disponíveis.
A possibilidade de resgate fica claro nas oportunidades que surgem da própria degradação da área: grandes prédios e enormes lotes abandonados na região, que já foram indústrias e empresas de prestação de serviços, estão disponíveis para desapropriação e conversão em espaços verdes e de lazer. Estes investimentos públicos seriam acompanhados de outros, privados, para adensamento do território, aumentando a diversidade da população. Ao aumentar o número de moradores em um bairro, vivendo o que o mesmo tem a oferecer, aumenta-se a percepção de segurança devido à permanente circulação de pessoas e vizinhos nas ruas, transformando o círculo vicioso de esvaziamento em um círculo virtuoso de desenvolvimento para a recuperação desta parte da cidade. O efeito colateral positivo é que este investimento em áreas de lazer e verdes impactarão positivamente a saúde dos residentes locais, reduzindo necessidade de investimento em "saúde" (usado politicamente para mais hospitais e OS). O que não se deve é reproduzir o erro histórico, apenas incentivando a construção de prédios mais altos e a verticalização em determinados locais, sem o respectivo investimento na infraestrutura necessária para a população viver e ter direito à cidade.
Hugo Costa é geógrafo

Antigo Cine Rio Palace, em Ramos. O que já foi o cinema com a maior tela de projeção da América Latina, hoje desmorona aos poucos.

MAIS SOBRE O PRETENDIDO CENTRO DE CONVENÇÕES NA MARINA DA GLÓRIA


Coluna Gente Boa, OG 08-05-2017

No último dia 04 publicamos MARINA DA GLÓRIA – CENTRO DE CONVENÇÕES ASSOMBRA PARQUE DO FLAMENGO. DE NOVO.  Qual um bumerangue, o assunto voltou à pauta, à grande mídia e, naturalmente, a este blog. A lista de várias postagens a respeito está no final da publicação citada.
Chamou atenção a afirmação dos interessados de que não haveria problemas com o IPHAN porque a construção seria em área fechada.
Hoje, a mesma coluna jornalística que divulgou a notícia anterior traz outra nota: Centro de convenções da Marina da Glória: Iphan diz que ainda precisa aprovar o projeto.
Vamos além e reafirmamos que aquela construção Parque é impossível, salvo se surgir alguma caneta desgovernada que a libere. Que aposentem de vez o triângulo do Sr. X e construam o equipamento na malha urbana edificável da cidade!
Zona Portuária ou Zona Norte são boas opções, qualificando espaços que carecem de investimentos.

Urbe CaRioca
Internet